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Santigago_cima

RAD#02 – Entrevista com Silvia Araos: Diretora Executiva do programa “Chile Barrio”

tratada_01* Los Caracoles, parte da rodovia CH-60 que antecede a chegada à fronteira. (Foto: Paula Martinelli)

Passamos pela cuesta juncai, mais conhecido como "los caracoles". Na fronteira, um belo chá de cadeira espera a todos que querem cruza-la, mas não importa, chegamos ao Chile!

Por incrível que pareça, a chegada a Santiago foi a parte mais difícil da viagem, chegamos no período da tarde e todos os hostels  da cidade estavam lotados e os hoteis são muito caros. Depois de muita pesquisa, conseguimos alugar um quarto na casa de Mirey, uma simpática senhora que mora em um bairro mais afastado do centro, porém perto do metrô. Nos demos muito bem, Mirey é de uma hospitalidade incrível, e muito famosa por seus sucos de laranjas colhidas na hora. Depois de presentea-los com uma cachaça, fizemos uma sessão de foto com eles:

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  *Mirey e a relíquia: a foto de seu irmão com Pelé, tirada durante a Copa do Mundo no Chile.

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*Acima, Gonzalo, filho de Mirey e fã de ópera.
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*Autorretrato em Santiago: testes de luz para fotografarmos os novos personagens

 

 

 

 

 

 

 

 

Santiago é como São Paulo em uma escada reduzida, mais concentrada e com um fator muito relevante: a onipresença dos Andes. Tem todos os problemas, peculiaridades e pulsação de uma grande metrópole, o centro é bastante parecido com o centro antigo de São Paulo, até mesmo grande parte do comércio é também organizado em galerias como a da foto abaixo:

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Café, tatuagem e "peluqueria"

 

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*vista de cima do Monte San Cristobal

13/11/2013 – 1ª Entrevista para o documentário "Revolução através do Design".  A arquiteta Silvia Araos foi diretora executiva do "Chile barrio", programa que durou 10 anos  (entre 1997 a 2007).  Em 2001, Silvia viabilizou junto a Alejandro Aravena o primeiro projeto do Elemental que aplicava o conceito que o arquiteto e sua equipe desenvolveram: subverter a lógica tradicional ao adicionar o componente da autoconstrução como uma das principais características do novo bairro Quinta-Monroy |, em Iquique.

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Abaixo, alguns trechos da entrevista.

Himawari: Qual é a importância da autoconstrução?
Silvia Araos:
" (…)A Auto construção é um componte fundamental em programas de habitação para um desenvolvimento progressivo. No Chile, havia uma atitude, em um primeiro momento da política pública de habitação, quando se entregavam as moradias com banheiro e cozinha, gerando condições de autoconstrução, mas com grande desordem por não contemplá-la como um componente. Não havia uma imagem de bairro, uma harmonia. Cada um vai fazendo o que pode, de acordo com seus recursos e de alguma maneira a autoconstrução foi vista assim: incapaz de produzir boas habitações.
Até então, as habitações sociais eram entregues assim: uma casa pequena que tem tudo, mas onde não cabe nada: um banheiro onde não cabe uma máquina de lavar, um dormitório onde não cabe um armário. mas a casa está terminada e entregue – era isso que importava.
Então, o nosso objetivo e do projeto Elemental de Quinta-Monroy, em Iquique, é algo misto, onde, por um lado se entrega uma solução inicial e básica, com são espaços funcionais e fixos – aqueles mais difíceis de serem construídos por exigirem alta qualidade técnica. Por outro, a continuação dessa construção inicial é deixada a cargo dos próprios moradores, para que a completem com a autoconstrução, de uma maneira ordenada, em espaços pré-determinandos. Então, cada família pode ir construindo a seu próprio tempo. O resultado final é harmônico, ordenado – a autoconstrução sem essa ondem não gera valor, pois não constrói bairros. Isso é um tema importante: como valorizar uma habitação?"
Himawari: Qual o legado que o programa "Chile barrios" deixa?
Silvia Araos: (…)Quando há vontade política, podemos fazer. Ou seja, aqui houve uma vontade política prévia e, após essa condição, todo o resto se levanta, e essa vontade política foi fundamental para o primeiro passo: vamos trabalhar dentro da realidade.

1 Comment

  • celia Says

    A reflexao que devemos tirar dessa frase:
    “as habitações sociais eram entregues assim: uma casa pequena que tem tudo, mas onde não cabe nada”.

    Esse um dos problemas do programa habitacional do Brasil, atualmente.
    Sem possibilidade alguma de “autoconstrução”.
    Oxalá essa idéia prospere aqui.
    Célia Rbm.

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